Conheça o trabalho de MSF no Brasil em 2018

ANA DE LEMOS - DIRETORA-GERAL DE MSF-BRASIL

Em 2018, a cada minuto, 25 pessoas foram forçadas a deixar suas casas. Já são mais de 70 milhões de pessoas. Independentemente dos motivos que levam alguém a abandonar o seu lar, todas e todos têm direito à proteção e à assistência médica. Muros, discursos e narrativas que criminalizam os mais vulneráveis, assim como políticas que implicam sofrimento e morte, são sintoma de uma crescente criminalização de migrantes e dos que trabalham para salvar vidas. O compromisso de Médicos Sem Fronteiras (MSF) está com os que mais necessitam de nossa ajuda e continuamos fazendo o nosso melhor para chegar aos mais vulneráveis. É o caso dos venezuelanos que atravessam fronteiras fugindo da crise em seu país. Para atendê-los, abrimos um projeto de assistência médica e de saúde mental no estado de Roraima.

Para atuar em diferentes crises humanitárias, em mais de 70 países, inclusive naquelas relacionadas com pessoas em deslocamento, MSF-Brasil enviou 192 vezes profissionais de diferentes áreas em 2018.

A Unidade Médica Brasileira (Bramu) apoiou projetos em Bolívia, México, Indonésia, Zimbábue e Brasil (Roraima) por meio de pesquisa e análise das necessidades das pessoas que atendemos. Esse suporte se deu em especial nas áreas de saúde de adolescentes e epidemiologia. O departamento de relações institucionais (advocacy) lutou, junto a outras organizações e instituições brasileiras, para conseguir preços acessíveis para o sofosbuvir, medicamento extremamente eficaz para o tratamento da hepatite C. Dentre as diferentes ações, foi organizada uma petição online, que ajudou a tornar a questão de conhecimento público para a sociedade brasileira. A doença de Chagas também foi um dos focos de nossa comunicação, com uma campanha para trazer visibilidade ao problema que afeta diretamente a vida de 6 a 7 milhões de pessoas no mundo. No total, fizemos eventos – como exposições e palestras – em 32 cidades brasileiras, falando sobre a realidade muitas vezes negligenciada das pessoas que atendemos.

Em tempos em que nosso trabalho é posto em xeque por políticas que não colocam a vida das pessoas em primeiro lugar, reforçamos nosso compromisso de levar ajuda guiados exclusivamente pela necessidade daqueles que atendemos, independentemente de pressões políticas e econômicas. E isso só é possível graças àqueles que compartilham nossos valores e nos apoiam, como você. Aos nossos 487.844 doadores no Brasil em 2018, meu muito obrigada.

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Toda ajuda é muito importante para nós