Principais Informações Financeiras e a Transparência de MSF

Médicos Sem Fronteiras (MSF) é composta por 21 escritórios nacionais, nos seguintes países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Hong Kong, Itália, Japão, Luxemburgo, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça. Há também filiais em Argentina, China, Colômbia, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Federação Russa, Finlândia, Índia, Irlanda, Líbano, México, Nova Zelândia, Quênia, República Tcheca, Singapura, Taiwan e Uruguai. O escritório internacional de MSF está sediado em Genebra.

A busca por eficiência levou MSF a criar oito organizações especializadas, chamadas “satélites”, que se encarregam de atividades específicas, como suprimentos de ajuda humanitária, pesquisa epidemiológica e médica, arrecadação de fundos, gestão de instalações e pesquisas sobre ações humanitárias e sociais. Considerados parte integrante dos escritórios nacionais, esses satélites incluem MSF Suprimentos, MSF Logística e Epicentro, entre outros. Como essas organizações são controladas por MSF, estão incluídas tanto no escopo quanto nos números apresentados no Relatório Financeiro Internacional de MSF.

Esses números descrevem as finanças combinadas de MSF em nível internacional. Os dados internacionais de 2019 combinados foram preparados de acordo com o Swiss GAAP FER/RPC (padrão suíço de prestação de contas). Os números foram auditados pela empresa de auditoria Ernst & Young.

O Relatório Financeiro Internacional completo de 2019 pode ser encontrado em www.msf.org. Além disso, cada escritório nacional publica, anualmente, os demonstrativos financeiros auditados de acordo com suas políticas contábeis, legislação e normas de auditoria nacionais. Cópias desses relatórios podem ser solicitadas aos escritórios nacionais.

Os números apresentados aqui são referentes ao ano de 2019.

 

Veja os destaques da atuação de MSF no Brasil em 2019

Ana de Lemos Diretora-executiva de MSF-Brasil

Conflitos armados que já se arrastam por anos deterioraram as condições de vida de milhares de pessoas em 2019. Somado a isso, desastres naturais e epidemias de doenças mortais mobilizaram as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) pelo mundo. Ao longo do ano, MSF-Brasil enviou 192 vezes profissionais de diferentes áreas para atuar em crises e emergências.

No Brasil, quando houve o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), enviamos, em 48 horas, uma equipe de três profissionais ao local, para prestar suporte técnico em gestão e capacitação em saúde mental. Além disso, continuamos apoiando o projeto de assistência médica e de saúde mental a migrantes e refugiados venezuelanos em Roraima.

A Unidade Médica Brasileira (Bramu) passou a concentrar sua atuação em contextos de migração, outras situações de violência e questões relacionadas com a saúde ambiental. Finalizamos a Migration History Tool, ferramenta que permite coletar e analisar informações de migrantes e refugiados, a fim de identificar grupos vulneráveis e suas necessidades de saúde, bem como melhor orientar nosso trabalho. Como fruto de um esforço integrado entre o departamento de relações institucionais (Advocacy) e parceiros da sociedade civil, obtivemos a aprovação do Dia Mundial de Chagas (14/4) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Também pressionamos pelo tratamento da hepatite C a preços mais acessíveis para os mais de 700 mil portadores da doença no Brasil. Realizamos o primeiro MSF Scientific Day LATAM no país, com o objetivo de promover o debate e o compartilhamento de projetos inovadores e aprendizados na área da saúde. Realizamos exposições e palestras em 39 cidades brasileiras para mais de 43 mil pessoas. Também foi um ano de expansão da presença institucional de MSF-Brasil, com a abertura do novo escritório em São Paulo.

Contra todas as adversidades e diante da ameaça crescente ao trabalho dos provedores de ajuda humanitária, conseguimos levar cuidados a populações vulneráveis em mais de 70 países. Isso só foi possível em virtude do apoio de nossos 528.354 doadores no Brasil em 2019.

Muito obrigada.


*Missão social inclui todos os custos relacionados às operações em campo, bem como o apoio médico e operacional da sede diretamente alocado em campo e atividades de conscientização.
**Diante do crescimento dos projetos de MSF e de suas despesas, e de acordo com nossa missão social, optamos por aumentar a contribuição às operações em campo em 2019, o que gerou um deficit no fechamento do ano. Como resultado, nossas reservas foram reduzidas, mas a um valor que ainda ficou condizente com nossas necessidades.

Para mais detalhes, veja o Relatório Financeiro de MSF-Brasil em msf.org.br/transparencia-e-prestacao-de-contas

A Resposta ao Ebola na República Democrática do Congo

Por dra. Mercedes Tatay

Em agosto de 2018, as autoridades da República Democrática do Congo (RDC) declararam um surto de Ebola, que se tornou o maior da história do país. A epidemia se espalhou por comunidades das províncias de Kivu do Norte e Ituri, que já haviam sido afetadas por décadas de conflito armado. Dessa vez, parecia que estávamos mais bem preparados do que em surtos de Ebola anteriores. Havia novas ferramentas que talvez pudessem dar um fim mais rápido ao surto: duas vacinas e dois medicamentos terapêuticos. Desde o início, tínhamos uma vacina com eficácia comprovada. Durante o surto, Médicos Sem Fronteiras (MSF) participou de um ensaio clínico que determinou a eficácia dos dois novos medicamentos para tratar a doença, e testamos uma segunda nova vacina, a fim de reduzir a transmissão. Contudo, apesar da eficácia comprovada das novas ferramentas, duas em cada três pessoas com Ebola morreram, e o vírus continuou a se espalhar por mais de 18 meses. Nem todos foram atendidos por aqueles que respondiam à epidemia. Em alguns momentos, mais da metade das mortes relacionadas com o Ebola estavam ocorrendo nas comunidades. As pessoas sequer chegavam aos centros de tratamento de Ebola (CTEs) ou chegavam tarde demais, quando os tratamentos eram menos propensos a impedir um resultado fatal.

Sem conquistar a confiança da comunidade, a resposta geral foi tida como hostil pelas pessoas. Frequentemente, era oferecido aos pacientes tratamento em isolamento, longe de suas famílias. Considerando que as pessoas percebiam que a taxa de mortalidade nos CTEs era alta, para muitas a assistência médica proposta não era suficientemente encorajadora.

Nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, o Ebola geralmente não é a principal prioridade de saúde. A população enfrenta outras doenças mortais, como sarampo, malária e desnutrição, além de um sistema de saúde sobrecarregado pelo conflito. A resposta de MSF e de outras organizações ao surto foi centrada no Ebola e absorveu muitos dos recursos já limitados, deixando pessoas sem tratamento para outras doenças graves.

Uma maneira importante de reduzir o número de pessoas infectadas é impedir a transmissão contínua por meio da vacinação. A estratégia implementada na RDC foi a vacinação de pessoas que mantiveram contato próximo com pacientes de Ebola e pessoas em contato com esses contatos. Apesar da eficácia da vacina, rastrear os contatos se mostrou difícil na prática. Havia menos pessoas elegíveis para receber a vacinação, limitando, assim, a eficácia da estratégia de vacinação direcionada. O fornecimento limitado da vacina também afetou a implementação da estratégia, e seu status como não registrada tornou a vacinação uma atividade muito demorada. Em princípio, a estratégia de vacinação direcionada não impediu a disseminação do vírus com rapidez suficiente. Inicialmente, nós nos concentramos na vacinação de profissionais da linha de frente. À medida que o surto continuava, defendemos uma estratégia adaptada, que alcançasse mais pessoas.

Como resolver esses problemas?

Progressivamente, nos afastamos das abordagens centradas no Ebola para nos concentrarmos nas necessidades gerais das comunidades. Isso inclui descentralizar a triagem do Ebola para os centros de saúde de MSF já existentes, a fim de que os cuidados estejam mais próximos das comunidades. Além disso, realizamos mais atividades de conscientização e divulgação de nossos serviços.

Também precisamos atender às necessidades específicas do paciente, em vez de tratar todos da mesma maneira. Para alguns, pode ser possível fornecer atendimento domiciliar; outros poderiam ser tratados em unidades de saúde menores, mais próximas de onde moram. Algumas pessoas em risco de infecção podem se beneficiar do uso imediato de profilaxia pós-exposição, enquanto outras podem precisar ir a um centro de saúde regularmente.

Em termos de prevenção durante um surto, também devemos facilitar o desenvolvimento e o teste de mais vacinas e diversas estratégias de vacinação, adaptadas ao contexto e atendendo às expectativas da comunidade. As vacinas devem ser fáceis de serem aplicadas no contexto de um surto, com licenciamento acelerado, se necessário, enquanto a estratégia de vacinação deve facilitar o acesso daqueles que precisam. Para responder melhor a futuros surtos de Ebola, as estratégias de resposta médica não devem ser vistas sozinhas. Abordagens centradas no paciente, envolvimento da comunidade e mobilização social são fundamentais.

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