Diretores de MSF falam sobre as principais atividades e desafios em 2018

Dr. Marc Biot, dra. Isabelle Defourny, Marcel Langenbach, Kenneth Lavelle, Bertrand Perrochet e Teresa Sancristoval, diretores de Operações

Em 2018, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) ofereceram assistência médica e humanitária a pessoas que enfrentavam dificuldades extremas em mais de 70 países. As ações de emergência continuaram sendo parte essencial de nosso trabalho.

À medida que 2018 chegava ao fim, a República Democrática do Congo (RDC) estava no meio do segundo surto de Ebola do ano, o maior de todos os tempos. MSF fez parte da resposta, liderada pelo Ministério da Saúde. Apesar de rápidas e bem-aparelhadas, as ações de emergência falharam em adaptar-se às prioridades das pessoas e em ganhar a confiança da comunidade. No fim do ano, a epidemia nas províncias de Kivu do Norte e Ituri tirou mais de 360 vidas e, em algumas áreas, ainda não estava sob controle.

No início do ano, civis sírios e equipes médicas foram cercados pela violência em Idlib, a noroeste e a leste de Ghouta. Em fevereiro e março, a leste de Ghouta, o bombardeio foi implacável, com ondas de mortos e feridos chegando a hospitais e postos de saúde apoiados por MSF. A guerra no Iêmen, que entrou em seu quarto ano, deixou o país e seu sistema de saúde em ruínas. A coalizão liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos continuou a mirar áreas civis com ataques aéreos e bombardeios, incluindo nosso novo centro de tratamento de cólera em Abs. O Iêmen foi o país onde nossas equipes trataram o maior número de feridos de guerra em 2018: mais de 16 mil pessoas.

O número de projetos de MSF que trabalham com pessoas deslocadas mais do que dobrou desde 2012. Em 2018, em todo o mundo, países reforçaram suas fronteiras na tentativa de impedir a entrada de migrantes e refugiados. Os governos tentaram encobrir o custo humano de suas políticas danosas, ao demonizar, ameaçar e, em última análise, bloquear alguns de nossos esforços para ter acesso e prestar assistência.

Fomos obrigados a encerrar nossas operações de busca e salvamento no Mediterrâneo no início de dezembro pelas ações cada vez mais obstrutivas de governos europeus, particularmente da Itália, apesar de cerca de 2.297 pessoas terem se afogado enquanto tentavam fugir da Líbia durante o ano.

Em outubro, o governo nauruano expulsou nossa equipe. Até esse momento, prestávamos cuidados de saúde mental aos habitantes locais e aos solicitantes de asilo detidos em Nauru, como parte da política da Austrália de detenção fora de seu território.

A partir de março, o exército israelense respondeu com força bruta aos protestos da “Marcha de Retorno”, em Gaza, deixando milhares com terríveis ferimentos por arma de fogo. Nossas equipes cirúrgicas ficaram sobrecarregadas pelo número de pacientes com ferimentos graves e complexos; em 2018, equipes na Palestina realizaram mais de 3 mil cirurgias de grande porte, em comparação com 400, em 2017. Também nos dedicamos às feridas invisíveis das pessoas, prestando serviços de saúde mental em 54 países.

Na Etiópia, a violência étnica, a alta insegurança e a falta de apoio em sua terra natal forçaram pelo menos 1,4 milhão de pessoas a se deslocarem internamente em múltiplas, simultâneas e maciças crises de deslocamento. Nossas equipes trabalharam em acampamentos no sul e no oeste do país, onde a superlotação e a falta de saneamento facilitavam a disseminação de condições como diarreia e infecções de pele.

No nordeste da Nigéria, quase 2 milhões de pessoas foram deslocadas nos estados de Borno e Yobe por causa do conflito em curso. Trabalhamos em 17 locais nos dois estados em 2018, onde centenas de milhares de pessoas continuam fortemente dependentes de ajuda para sua sobrevivência.

Em novembro, a organização Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), parceira de MSF, recebeu aprovação para o fexinidazol, um medicamento para a doença do sono que é mais seguro, mais fácil de administrar e mais eficaz. Os projetos de MSF testaram o fexinidazol, que é a primeira entidade química desenvolvida pela DNDi.

A Campanha de Acesso de MSF continua a defender um melhor acesso a combinações de medicamentos tendo por base o sofosbuvir, usado para tratar a hepatite C. Isso permitiu que nossas equipes expandissem e simplificassem o tratamento em vários países em 2018.

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